Big Data é um termo em inglês criado para designar um conceito na área de Tecnologia da Informação. Este termo foi criado em 1997 pelos pesquisadores Michael Cox e David Ellsworth em um artigo sobre a visualização de grandes volumes de dados por meio de uma tecnologia que superava as existentes. Contudo, o grande avanço em processamento, arquivo e análise de dados, o Big Data, só ocorreu em 2005 quando o Yahoo criou o Hadoop. A popularização da internet ampliou exponencialmente a produção e a divulgação de dados, levando os pesquisadores a conceberem um mecanismo de agrupamento de informações, tanto de forma estruturada quanto não estruturada. Essa organização das informações em agrupamentos é a base do Big Data, porém não é a sua única função, pois o Big Data se tornou um mecanismo estratégico de análise de dados para várias áreas do saber.

Kotler, Kartajaya e Setiawan (2021) pontuam que o Big Data é a conjunção de várias tecnologias que geram uma variedade de dados que são organizados pela Inteligência Artificial (IA), portanto, a cada acesso do usuário a uma plataforma digital, novos dados são incorporados aos dados armazenados, gerando padrões informacionais que compõe o perfil de comportamento e o perfil psicográfico dos usuários. São esses perfis que são utilizados para compor uma campanha publicitária, que auxiliam em um processo decisório empresarial, que determinam políticas públicas e que definem uma cultura.

Segundo Tene e Polonestsky (2013) o desenvolvimento da tecnologia e dos dispositivos eletrônicos contribuíram para revolucionar o volume de geração de dados, a comunicação, o compartilhamento e o acesso a esses dados, impulsionando a economia, os modelos de negócios, bem como as análises governamentais sobre pontos específicos da sociedade. Os autores ressaltam os benefícios do Big Data, tais como: a oportunidade de aumentar a produtividade das empresas e a ação pontual do governo para a solução de problemas sociais. Analisam ainda os benefícios que o Big Data traz para a telemedicina e para o marketing, este contribuindo para refinar o perfil do público-alvo. Contudo, os autores também advertem sobre os riscos que o Big Data traz quanto à privacidade dos usuários. Como tudo que é colocado na internet gera dados, é preciso cuidar da privacidade desses dados por meio de leis de proteção de dados.

Johnson et al (2018) abordam a questão sobre a proteção da privacidade do usuário e argumentam que o desenvolvimento do Big Data passa por quatro dimensões, são elas: social, tecnológica, aplicação e educacional. Essas quatro dimensões captam um volume imenso de dados por meio de dispositivos eletrônicos e de novas arquiteturas das plataformas digitais. Os autores lembram que as mídias sociais fazem um ótimo trabalho de coleta de dados de seus usuários, dados estes muito estimados pelos governantes, bem como pelos empresários.

Ao observar os números das mídias sociais divulgados no primeiro semestre de 2023, constata-se que só o Facebook detém 2,96 bilhões de usuários, o YouTube 2,51 bilhões, o Instagram e o WhatsApp detêm, cada um, 2 bilhões, só para falar das maiores redes. A Google, no primeiro semestre de 2023, processou cerca de 3,5 bilhões de dados por dia, detendo 91% do mercado global no tocante ao Big Data.

O campo de ação do Big Data e o volume de dados que os meios digitais produzem a cada minuto gera benefícios e preocupações, como os exemplos colocados por Tene e Polonestsky (2013). A regulamentação quanto a privacidade dos dados do usuário é necessária e urgente, pois sua ausência pode gerar um estado de vigília por parte dos governos e das empresas como a ideia de controle e vigilância do Big Brother do livro 1984 de George Orwell. Além dessa obra literária fictícia, há obras cinematográficas que abordam o mesmo tema, como a película Minority Report, 2002, em que o Big Data traça o perfil das pessoas e prediz suas ações futuras e Matrix, 1999, que se utiliza do Big Data para controle social. Essas e outras obras fictícias sobre o Big Data têm o intuito de trazer o tema da Inteligência Artificial à reflexão, pois o Big Data é uma realidade e o ponto de conversão entre Big Data, para análise de dados, e Big Brother, que se utiliza do Big Data para controle social, forma uma linha tênue regida pela ética.

Portanto, a linha que separa Big Data e Big Brother é muito sutil, uma vez que a coleta massiva de dados, a vigilância em massa e a manipulação de informação levantam preocupações significativas sobre a privacidade, controle e ética. Para enfrentar tais desafios é necessária a implementação de políticas que promovam a responsabilidade e a proteção dos direitos individuais à privacidade dos usuários e para assim poder estabelecer uma relação social saudável na interação entre homem e a tecnologia.

REFERÊNCIAS:

JOHNSON, Jeffrey.; DENNING, Peter.; DELIC, Kemal A.; SOUSA-RODRIGUES, David. Big Data or Big Brother? That is the question now. Ubiquity Symposium. Association for Computing Machinery, New York, USA, 2018. V. 2018, p. 1-10. Disponível em: https://dl.acm.org/doi/10.1145/3158352. Acesso em: 13 set. 2023.

KOTLER, Philip; KARTAJAYA, Hermawan; SETIAWAN, Iwan. Marketing 5.0. São Paulo: Sextante. 2021.

TENE, Omer.; POLONETSKY, Jules. Big Data for All: privacy and user control in the age of analytics. Northwestern Journal of Technology and Intellectual Property. Chicago, USA, 2013. v. 11, n. 5, p. 239-273.

VOLPATO, Bruno. Ranking: as redes sociais mais usadas no Brasil e no mundo em 2023, com insights, ferramentas e materiais. Resultados Digitais: O Portal de marketing e Vendas da RD Station. Florianópolis, SC, 2023. Disponível em: https://www.techtudo.com.br/listas/2023/07/qual-a-rede-social-mais-usada-em-2023-a-resposta-vai-te-surpreender-edapps.ghtml. Acesso em: 15 set. 2023.

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