Gucci Garden Boutique÷ GUCCI â Store Firenze
Guccio Gucci (1884-1953), nascido em Florença, Itália, foi o fundador da grife Gucci, mundialmente conhecida no mercado de luxo. Ele, de família humilde, ao trabalhar em um Hotel em Londres, Savoy Hotel, observava a elite europeia desfilando pelo hotel com os pertences valorizados por sua classe social. Ao voltar para a Itália resolveu investir em uma selaria, que evoluiria para a confecção de malas e bolsas para viagem com a qualidade valorizada pelo público-alvo que almejava: a elite.
Em 1921 Guccio Gucci fundou sua confecção, trabalhando principalmente com malas e bolsas de couro, contudo foi após a Segunda Guerra Mundial, com a escassez de matéria-prima, que Guccio resolveu diversificar seus produtos e lançou a linha de roupas. Ao ampliar o negócio a Gucci passou a produzir, ao longo de sua história, bolsas, malas, roupas, sapatos, cintos, necessaires, chapéus, vestidos de gala, joias, além de agregar artigos de papelaria e de cozinha.
Com os negócios em ascensão, Guccio abriu uma loja Gucci em Roma em 1938, e seus filhos – Aldo, Vasco e Rodolfo – começaram a se enterarem dos negócios da família. Em 1947, com a escassez de couro de qualidade que assolava a Europa, Guccio lançou uma bolsa com alça e fechos de bambu. Além do bambu, esse novo modelo de bolsa foi marcado por ser a primeira bolsa Gucci com o logotipo da marca, os GG entrelaçados. Rapidamente essa bolsa se tornou a queridinha de estrelas de Hollywood como Elizabeth Taylor e Grace Kelly – esta se tornaria rainha de Mônaco.
Em 1953, quando Guccio morreu, a empresa passou a ser dirigida pelos herdeiros Aldo e Rodolfo. As disputas familiares pela empresa refletiram negativamente sobre as contas e a imagem da marca. Em 1979 foi criada a Gucci Acessories Collection, a GAC, um departamento responsável por criar novos itens que pudessem agregar valor a marca, tais como: perfumes, isqueiros, canetas, relógios, óculos, joias etc. Contudo, Maurício, filho de Rodolfo, assumiu o controle da Gucci em 1980 e com a morte de Rodolfo, Maurício vendeu as ações da Gucci para a Investcorp. As décadas de 1980 e 1990 marcaram um período difícil para a marca, entretanto, no final dos anos 1990 Tom Ford assumiu o comando criativo da grife e recolocou a marca no mercado de luxo novamente. Em 1999 a família Gucci perdeu qualquer tipo influência sobre a empresa ao vendê-la para o grupo francês Pinault Printemps Redoute, que mais tarde tornou-se Kering.
Em 2011 o edifício Palazzo della Mercanzia – monumento histórico do século XIV – passa pela sua segunda restauração histórica para abrigar o Museu Gucci (Gucci Museo). Em 26 de setembro de 2011 a sede do Museu Gucci está oficialmente inaugurada, festejando o 90º
aniversário da grife. Em 2018 foi inaugurado o Gucci Garden, no mesmo prédio – Palazzo della Mercanzia – na Piazza della Signorina, em Florença, sua cidade natal. O Gucci Garden possui três andares, onde abriga o acervo Gucci, uma livraria, loja pronta entrega para alguns produtos Gucci, uma cafeteria e um restaurante. O acervo exposto no museu foi organizado com a produção Gucci desde 1930, mostrando a evolução da marca. O acervo conta a história da grife com sua produção icônica em cada momento de sua existência, portanto é possível caminhar pela linha do tempo da moda italiana produzida pela Gucci e apreciar as peças da grife em um século de história.
Em seu percurso, a Gucci criou mais de noventa perfumes, sendo o primeiro deles lançado em 1974. A marca está no Guiness Book, não por causa dos perfumes, mas por ter vendido uma peça jeans por US$ 3,134.00, em Milão, considerada a peça jeans mais cara do mundo. Outro caso que enalteceu a marca foi o fato do Sultão de Brunei encomendar 27 malas de couro de crocodilo para a Gucci, fechando uma compra de US$ 2,4 milhões de dólares.
Quanto às lojas, há cinco lojas oficiais Gucci no Brasil, sendo uma no Rio de Janeiro, uma em Curitiba e três em São Paulo. Na América do Sul, além do Brasil, apenas o Chile tem loja oficial da Gucci. Em Nova Iorque foi inaugurada a maior loja Gucci do mundo, em uma área de 14.020m2, distribuídos em três andares, na 5ª Avenida.
Segundo a Forbes, em 2020 a Gucci ocupava a 31ª posição das empresas mais valiosas do mundo, valendo 22,6 bilhões de dólares, ficando atrás apenas da Louis Vuitton no mercado de luxo de seu segmento. Ainda segundo a Forbes, a Gucci, em 2020, contava com 487 lojas, 17.157 funcionários e um faturamento de 9.628 bilhões de euros em vendas. Em 2022 a Maison Gucci foi eleita a marca mais valiosa da Itália, com um valor estimado em US$ 37,9 bilhões pela Kantar, uma empresa britânica de pesquisa de mercado. Em 2022 a Gucci cresceu 13% em seu faturamento comparado ao período pré-pandemia, o que mostra a força da marca e o trabalho assertivo tanto da equipe Gucci quanto do Grupo Kering.
A fama da Gucci se deve à qualidade de seus produtos, à boa gestão e à aceitação dos consumidores do mercado de luxo com os produtos da grife. Embora a marca esteja muito bem-posicionada neste início do século XXI, sua história viveu momentos conturbados, influenciados pela política econômica, por guerras mundiais e questões familiares. Contudo, a Gucci se dedicou, e se dedica, a observar as novas tendências de mercado e de comportamento do consumidor, o que a fez entrar para o mundo digital. A empresa organizou um departamento específico só para cuidar das novidades tecnológicas com a finalidade de se inserir no mercado digital. Inclusive a Gucci se prepara para entrar no mercado de criptomoedas e estuda a possibilidade de abrir uma boutique Gucci no metaverso.
REFERÊNCIAS
ANTUNES, Anderson. Com mais de um século de história e cada vez amis ‘tech’, Gucci é eleita a marca mais valiosa da Itália. In: Glamurama. 20, mai., 2022. Disponível em: < https://glamurama.uol.com.br/moda-e-design/com-mais-de-um-seculo-de-historia-e-cada-vez-mais-tech-gucci-e-eleita-a-marca-mais-valiosa-da-italia/ >. Acessado em 24/03/2023.
BORRELLI-PERSSON, Laird. Tudo que você precisa saber sobre a história da Guicci antes de assistir ao filme House of Gucci. Vogue Internacional. 24, nov. 2021. Disponível em: http://www.vogue.globo.com.
CARREIRA, Gabrielle. A História da Gucci. In: Farfetch the Style Guide.18, nov. 2019. Disponível em: < http://www.fartetch.com >. Acessado em 25/03/2023.
Site Oficial Gucci. Disponível em: < http://www.gucci.com >. Acessado em 26/03/2023.
TRIPATHI, Dhirendra. Kering, detentora da Gucci, sobre com aumento da demanda do setor de luxo. Intesting.com. 17 fev. 2022. Disponível em: < https://br.investing.com/news/stock-market-news/kering-detentora-da-gucci-sobe-com-aumento-da-demanda-no-setor-de-luxo-974926 >. Acessado em 23/03/2023.