A saúde ocupacional é um ramo da saúde que se preocupa com a prevenção de doenças e lesões relacionadas ao trabalho, bem como, com a promoção da saúde e do bem-estar dos trabalhadores. Ela envolve a identificação, avaliação e controle dos riscos ocupacionais, bem como o desenvolvimento de estratégias para proteger a saúde e a segurança dos trabalhadores.
O conceito de saúde ocupacional é baseado na ideia de que o trabalho pode ter um impacto significativo na saúde e no bem-estar dos indivíduos. Isso pode ocorrer de várias formas, incluindo exposição a produtos químicos, poeiras, ruído, vibrações, esforço físico intenso, entre outros. Além disso, o ambiente de trabalho pode ser fonte de estresse, conflitos interpessoais, sobrecarga de trabalho, entre outros fatores que podem afetar negativamente a saúde dos trabalhadores.
Diversos autores, tais como, Felknor e McLellan (2021), Fishwick, Sen e Barber (2021), Schulte, Pandalai e Wulsin (2021), Lomantagne e Louie (2021), Fischer, Teixeira, Slama e Pinheiro (2020), e Mendes (2018), discutem o tema da saúde ocupacional e corroboram com a ideia de que, quanto mais atenção adequada e investimentos forem destinados para o aprimoramento das condições de segurança no trabalho e saúde do trabalhador melhores serão os resultados organizacionais. Portanto, o desenvolvimento de boas relações entre as pessoas no ambiente de trabalho, e os cuidados que as organizações podem empenhar para com a saúde de seus funcionários incidem diretamente no bem-estar do trabalhador e em sua produtividade.
Em síntese, a saúde ocupacional busca identificar e controlar os riscos ocupacionais, promover a saúde e o bem-estar dos trabalhadores e garantir um ambiente de trabalho seguro e saudável. Sendo assim, a sua importância para as organizações é evidente, e não apenas porque trabalhadores mais saudáveis faltam menos e produzem mais, mas também, porque pessoas valorizadas e cuidadas no âmbito da segurança do trabalho e saúde ocupacional, tendem a reconhecer isso, e sentirem-se satisfeitas pelo empenho que as organizações fazem por elas.
Para as organizações que se preocupam com a saúde ocupacional dos trabalhadores, existem várias vantagens resultantes dessa preocupação e das ações que buscam melhorar o ambiente de trabalho e as condições de saúde das pessoas que nele estão inseridas, dentre elas é possível destacar:
- Redução do absenteísmo: quando os trabalhadores estão saudáveis, eles faltam menos ao trabalho, o que reduz o absenteísmo e aumenta a produtividade.
- Aumento da produtividade: quando os trabalhadores estão saudáveis, eles tendem a ser mais produtivos, pois têm mais energia, motivação e concentração para realizar suas tarefas.
- Redução dos custos com saúde: quando as organizações investem em programas de saúde ocupacional, elas podem reduzir os custos com atestados médicos, consultas, exames e tratamentos.
- Melhora da imagem da empresa: quando as organizações demonstram real preocupação com a saúde e bem-estar dos trabalhadores elas tendem a ter uma imagem mais positiva perante a sociedade e os clientes.
- Redução do risco de acidentes: quando os trabalhadores estão saudáveis e bem treinados, eles tendem a cometer menos erros e a sofrer menos acidentes de trabalho, o que reduz os custos com indenizações e processos judiciais.
- Aumento da satisfação dos trabalhadores: quando as organizações se preocupam com a saúde ocupacional dos trabalhadores, eles se sentem valorizados e mais satisfeitos com o trabalho, o que reduz a rotatividade e aumenta a retenção de talentos.
Outra forma interessante de consolidar/perceber a importância da saúde ocupacional nos negócios é respondendo a seguinte pergunta: Por que a gestão da saúde ocupacional é um fator estratégico para as organizações? As respostas são diversas, mas necessariamente passam pelas seguintes razões:
- Responsabilidade legal: as empresas têm a obrigação legal de fornecer um ambiente de trabalho seguro e saudável para seus funcionários. Caso ocorram falhas em cumprir as normas de saúde e segurança isso pode resultar em multas, ações judiciais e danos à reputação. Uma boa gestão com foco na saúde ocupacional dos funcionários considera que investir na saúde dos funcionários é, de fato um investimento, e não um gasto.
- Redução do presenteísmo: o presenteísmo ocorre quando os funcionários estão fisicamente presentes no trabalho, mas sua produtividade é negativamente afetada devido a problemas de saúde. Uma boa gestão da saúde ocupacional pode ajudar a identificar esses problemas e fornecer soluções para melhorar a saúde dos funcionários, reduzindo assim o presenteísmo e, por consequência seu impacto sobre a rentabilidade da organização.
- Retenção de talentos: as empresas que se preocupam com a saúde e o bem-estar de seus funcionários tendem a ter uma maior retenção de talentos. Isso ocorre porque os funcionários são mais propensos a permanecer em uma empresa que se preocupa com seu bem-estar e oferece um ambiente de trabalho seguro e saudável. Uma boa gestão nesse aspecto costuma ter a seu favor, equipes mais engajadas e que gostam e querem continuar trabalhando na empresa, e com isso, gerando maior valor ao longo do tempo.
Existem outros fatores que poderiam ser associados a indagação acima, mas esses que estão aqui apresentados são alguns dos mais relevantes e que não poderiam deixar de serem comentados.
Em suma, é fundamental para qualquer organização ter foco na saúde ocupacional dos seus funcionários, pois isso traz diversas vantagens para a empresa, como a redução dos custos com afastamentos, doenças ocupacionais e acidentes de trabalho, aumento da produtividade e satisfação dos colaboradores, melhoria da imagem da empresa perante a sociedade e órgãos regulatórios, além de estar em conformidade com as legislações e normas que regulamentam a saúde e segurança do trabalho. Além disso, a preocupação com a saúde ocupacional demonstra uma postura ética e responsável da organização em relação aos seus colaboradores, o que pode ser um fator importante para a retenção de talentos e atração de novos profissionais, e para a imagem da organização no mercado.
Referências
FELKNOR, S. A.; MCLELLAN, D. L. (Eds.). Contemporary Occupational Health Nursing: A Guide for Practitioners. Springer Publishing Company, 2021.
FISCHER, F. M.; TEIXEIRA, L. R.; SLAMA, J. G.; PINHEIRO, T. (Orgs.). Saúde do Trabalhador no Século XXI: Desafios e Perspectivas. Rio de Janeiro: Fiocruz, 2020.
FISHWICK, D.; SEN, D.; BARBER, C. M. (Eds.). Occupational and Environmental Respiratory Disease. CRC Press, 2021.
LAMONTAGNE, A. D.; LOUIE, A. M. The Handbook of Work, Health and Wellbeing: An Evidence-Based Approach. Routledge, 2021.
MENDES, R. Saúde do Trabalhador: Aspectos Conceituais e Epidemiológicos. 2 ed. São Paulo: Atheneu, 2018.
SCHULTE, P. A.; PANDALAI, S. P.; WULSIN, V. Occupational and Environmental Health: Recognizing and Preventing Disease and Injury. 7th ed. Oxford University Press, 2021