O ChatGPT
O lançamento do ChatGPT, um modelo de linguagem desenvolvido pela OpenAI, criado para analisar uma enorme quantidade de dados textuais, incluindo livros, artigos, páginas da web e outras fontes disponíveis digitalmente, tem como objetivo analisar e gerar informações para seus usuários de forma textual objetiva, e em linguagem natural equivalente àquela que qualquer pessoa poderia produzir.
O ChatGPT é baseado na arquitetura Generative Pre-trained Transformer (GPT), que é um tipo de rede neural de aprendizado profundo projetado especificamente para lidar com tarefas de processamento de linguagem natural, ou seja, ele é um sistema de AI que pode entender e produzir linguagem escrita em vários idiomas, incluindo a língua portuguesa, sob demanda, ou seja, respondendo às perguntas feitas por seus usuários. Tais perguntas podem ser sobre os mais diversos temas do conhecimento humano, como matemática, física, química, geografia, economia, medicina, engenharia, línguas, cultura, dentre outras.
O seu desenvolvimento tem como propósito ser uma tecnologia com a capacidade de responder de maneira contundente às diversas indagações dos seus usuários, indagações que podem ser questionamentos sobre qualquer assunto para o qual existem muitas publicações disponíveis, como os exemplos de temas citados acima.
Na prática, a tecnologia responde sobre o que é indagado de maneira aceitável, correta na maior parte das vezes, o que significa que ela se baseia em fontes consideradas seguras, fontes essas que são pesquisadas e analisadas pela Inteligência Artificial (IA) para então produzir cada resposta, da forma mais natural possível, ao usuário que fez a pergunta. Embora algumas das respostas possam não estar livres de erros ou eventuais incompletudes, em geral, elas contêm argumentos e abordagens, apresentadas pelo ChatGPT, de forma relevante e direta. A verificação da veracidade dos fatos, portanto, não cabe apenas à IA, mas também, ao próprio usuário.
Ensino Superior: o processo de avalição de rendimento estudantil
No ensino superior, assim como em qualquer outro contexto educacional (de natureza científica ou não), o ChatGPT (chatbot de IA) é utilizado para fazer pesquisas, gerar textos, responder problemas e exercícios, e seus resultados – para muitas pessoas – são considerados como fantástico, diga-se de passagem. Aliás, as próprias críticas e atenção que essa IA gera é prova de sua capacidade. Portanto, ao mesmo tempo em que sua capacidade impressiona e representa a evolução tecnológica natural da humanidade, já que ele pode servir como um facilitador de acesso a informações de forma sem precedentes na história, seu uso, por muitos motivos, e mesmo em sendo amplamente estimulado, requer reflexão e cuidado, sobretudo, quanto considerado o processo de avaliação dos estudantes universitários.
Caso seja permitida a realização de provas e atividades com consulta, e nesse caso com a utilização de tecnologias digitais como o ChatGPT ou o mecanismo de busca Google, é possível que, em muitos casos, o esforço do estudante para encontrar as respostas às indagações propostas pelos professores esteja limitado apenas à digitação do que se quer saber e aguardar pela resposta, ou seja, nesse caso, o estudante não faz nada verdadeiramente relevante e capaz de demonstrar os seus conhecimentos sobre o tema em avaliação, tornando o processo avaliativo, na prática, sem sentido e irrelevante (incompetente).
É importante considerar que ‘Sim’, o ChatGPT resolve problemas de matemática, até mesmo em certos casos, cálculos muito avançados da área de Engenharia. Ele responde ainda questões de conhecimentos gerais de concursos públicos, responde exercícios do Exame Nacional do Desempenho dos Estudantes (Enade) em praticamente todas as áreas do conhecimento, e em sua maioria, as respostas apresentadas pela chatbot estão corretas. Em outros termos, a eficiência dessa IA é considera elevada.
Segundo Fofano (2023) “para tentar neutralizar o uso inadequado do ChatGPT, muitas instituições de ensino foram obrigadas a refletir sobre como os métodos de avaliação são empregados. Se em alguns casos eliminou-se as provas com consulta, em outros o modelo escrito começa a ser substituído por testes orais ou seriados.” O objetivo é claro, verificar se os estudantes em processo de avaliação são capazes de demonstrar o conhecimento tido como necessário para garantir, mais do que sua aprovação, a confirmação de uma competência requerida pela profissão em desenvolvimento.
Portanto, esse cenário deve ser analisado pelas Instituições de Ensino Superior (IES) na busca por formas de garantir um sistema de avaliação que revele de forma legítima a competência dos estudantes sobre um dado tema e/ou conhecimento específico, e claro, que não permita a aprovação de pessoas despreparadas e sem a devida compreensão sobre os diferentes conhecimentos exigidos em cada disciplina de seu curso.
Nesse novo cenário em que a IA já está presenta no cotidiano acadêmico de muitos estudantes, as provas com consulta precisam ser repensadas, assim como os trabalhos feitos em equipe ou individualmente, logo, é necessária uma reflexão sobre essa realidade no ensino superior presencial, e por certo, essa reflexão é ainda mais urgente na Educação a Distância (EaD), afinal, se nada for feito, muitas aprovações serão atribuídas ao uso da IA e não ao conhecimento real e verificável de certos estudantes. Essa é uma preocupação que, segundo Zambon (2023) se estende aos cursos de pós-graduação, sobretudo, pela direta importância desses cursos, lato sensu ou stricto sensu, no desenvolvimento da carreira dos estudantes.
A Inteligência Artificial na vida acadêmica, profissional e social é uma realidade
A chegada de tecnologias como a do ChatGPT e do Bard (IA da empresa Google), servem para transformar o modus operandi da vida acadêmica e profissional, não apenas no tocante às provas e às avaliações, ou na realização do cotidiano profissional, mas também quanto ao modo de pesquisar e produzir conhecimento, de encontrar fontes relevantes e verificá-las, de melhorar os textos, de produzir relatórios etc. Portanto, essas tecnologias devem ser ampla e corretamente estimuladas, servindo assim para a evolução da produção do conhecimento e do saber teórico e prático, esse último, visto principalmente no cotidiano profissional das pessoas.
Banir ou proibir o ChatGPT, ou tecnologias análogas, seria tão ineficiente quanto querer retroceder a velocidade da internet ou proibir o seu uso, ou ainda deixar de utilizar a máquina de lavar roupas, ou quem sabe deixar de ter geladeira em casa.
Portanto, a questão relevante não é sobre impor ou não barreiras ao uso da IA, principalmente se isso vier daqueles que estão despreparados para acompanhar a evolução tecnologia e social, logo, utilizar tal tecnologia para o progresso da humanidade. Aliás, esse comportamento seria um óbvio retrocesso da capacidade da inteligência humana. A questão, na verdade, é sobre ‘qual a melhor forma de fazer uso dessa tecnologia’ e como disseminá-la de modo democrático e rápido.
O ensino superior, sem dúvida, é um espaço teórico e prático para essas transformações evolutivas derivada do ChatGPT, logo, da IA, principalmente porque seu advento afeta o modus operandi do processo de ensino e aprendizagem, como abordado aqui, e sobretudo exigindo alterações no processo de desenvolvimento e aplicação das avaliações dos rendimentos dos estudantes (provas e trabalhos). Desafios estão postos, mas pelo menos é possível dizer que, nesse caso, a evolução e potencial da IA, além de impressionantes, pode ser mais rapidamente disseminado na sociedade, não apenas na acadêmica, especialmente porque, as organizações já estão utilizando ou considerando utilizar o ChatGPT e seus equivalente concorrentes.
O ChatGPT da OpenAI, o Bard da Google, dentre outros, são uma realidade, e refletem as transformações e evoluções propostas pela inteligente humana, logo, sua presença no cotidiano das pessoas, e claro, nas universidade é essencial, mesmo que, com isso, algumas transformações precisem ser implementadas, como é o caso de rever como as provas com consulta são proposta e aplicadas nas instituições de ensino, como a sociedade se envolve com a tecnologia, e como as empresas e empregos são afetados por ela. Mas não se engane, o ChatGPT é uma prova da capacidade evolutiva da humanidade.
Referências
FOFANO, Jorge. Como o ChatGPT virou o pesadelo para estas ações da Bolsa. Mercados. MoneyTimes. Disponível em: < https://www.moneytimes.com.br/como-o-chatgpt-virou-o-pesadelo-para-estas-acoes-da-bolsa/# >. Publicado em 12 de maio de 2023.
ZAMBON, Marcelo Socorro. Importância da Pós-Graduação no Desenvolvimento da Carreira: o EAD em destaque. Publicações – Zambon Educacional. Disponível em: < https://zamboneducacional.com/importancia-da-pos-graduacao-no-desenvolvimento-da-carreira-o-ead-em-destaque/ >. Publicado em 30 de março de 2023.